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sexta-feira, 16 de março de 2012


O que é treinamento em bloco?



No final da década de 1970 e início de 1980, Verchosanskij divulgou os resultados das suas experiências do treinamento em blocos, que consiste na concentração de cargas unilaterais, formando verdadeiros blocos de treino específicos, os quais se desenvolvem por aproximadamente dois meses, levando-se em consideração os seguintes fatores:

  • desenvolvimento da força como preocupação central das experiências desenvolvidas;

  • o trabalho de força, para que seja eficaz, deve ser concentrado, o que pode prejudicar, num primeiro momento, as adaptações no campo da técnica e da velocidade, porém tem como objetivo central criar pré-requisitos para os programas de treinamento posteriores;

  • utilização do efeito posterior da carga para assegurar a continuidade da melhoria da força rápida após um trabalho concentrado de força, além de criar as condições ideais para o aprimoramento da velocidade e da técnica do exercício competitivo.

  • concentração de cargas unilaterais como recurso eficaz para elevar o alto nível de preparação específica conseguido pelos atletas após muitos anos de treinamento (SILVA, 1995).

De acordo com VERCHOSANSKIJ (1983), para a elaboração dos blocos de treino, deve haver uma definição clara das necessidades de cada esporte a fim de possibilitar o melhor ordenamento dos efeitos do treino específico, uma vez que as cargas precedentes devem assegurar condições funcionais para as cargas seguintes.

O modelo em referência divide-se em dois grandes blocos: de preparação e de competição, um mais volumoso e menos intenso e o outro mais intenso e menos volumoso, no qual deverão ocorrer os melhores resultados. Inicialmente, no treinamento por bloco, estabelece-se a utilização de um bloco de treinamento volumoso e concentrado, com mais ou menos dois meses de duração, direcionado para a força. Aproveitando os efeitos posteriores do trabalho de força, intensifica-se o treino sobre a velocidade, a técnica ou a resistência específica, durante o qual acontece a primeira etapa competitiva (SILVA, 1995).

A segunda etapa de preparação inicia-se com um novo bloco de trabalho de força, menos volumoso e mais intenso, seguido de nova concentração de trabalho sobre as qualidades específicas predominantes em cada esporte e outro período dedicado às competições (SILVA, 1995).

O sistema de treinamento em blocos pode ser estruturado de forma diferenciada, de acordo com as exigências e especificidades das modalidades esportivas ou as respostas do organismo aos efeitos do treino. Dentre as principais variantes do modelo referido destacam-se as seguintes: modelo ATR, sistema tetracíclico para nadadores e modelos de blocos em progressão (SILVA, 1998).

Para TSCHIENE (1985), em geral, o modelo estrutural de Verchosanskij pode ser considerado um avanço dentro do planejamento do treino desportivo e uma diferenciação, de fato, do conteúdo proposto pelo modelo de periodização de Matvéiev. No entanto, de acordo com SILVA (1998), a elaboração de blocos específicos de treino capazes de atender às exigências da modalidade esportiva e, ao mesmo tempo, de se interligarem de forma lógica e racional demanda um elevado nível de conhecimento da modalidade esportiva considerada e uma especial atenção ao conceito de sucessão/interconexão, entendido como a separação dos trabalhos incompatíveis e aproximação dos que se complementam, de forma a estabelecer o necessário encadeamento de conteúdos e a indispensável continuidade nas cargas de treino.

Para FORTEZA DE LA ROSA (2001), a "Estruturação de Sucessões Interconexas, fundamenta-se basicamente no caso de que o trabalho de força deve ser concentrado em bloco de treinamento para criar condições de melhoria posterior nos conteúdos do treinamento relacionados ao desenvolvimento técnico e à qualidade da velocidade do atleta. Essas condições são dadas pelo chamado efeito de acumulação retardado do treinamento (EART)". Ainda de acordo com FORTEZA DE LA ROSA (2001), o conceito da Estruturação de Sucessões Interconexas é fundamental para essa forma de periodização do treinamento desportivo, pois constitui a estruturação do treinamento em blocos. O efeito do treinamento posterior, a longo prazo, indica que os efeitos obtidos depois de sucessivas sessões de aplicação de carga de força em um bloco concentrado, que pode durar várias semanas, criam as bases condicionantes para o treinamento das demais capacidades dos atletas e para o aperfeiçoamento da técnica. Para FORTEZA DE LA ROSA (2001), na prática, essa estrutura de treinamento toma forma quando se concentram em diferentes blocos os aspectos físicos e técnico-táticos: em um primeiro bloco, trabalha-se com determinação as capacidades físicas, predominantemente a força; em um segundo bloco, as questões técnicas e táticas.

Fonte

quinta-feira, 15 de março de 2012


O que é treinamento modular?



Elaborado também na década de 1970 por Vorobjev, este modelo de treino foi utilizado principalmente pelos halterofilistas (TSCHIENE,1985) e apresenta como características: a aplicação de mudanças bruscas e freqüentes no volume (variações de 30 a 50% entre um a dois meses e média de 35% ao longo do ano) e na intensidade (oscilações mensais entre 20 a 25%, com média de 11%) das cargas; ao longo de toda a temporada, as cargas de natureza específica assumem um caráter predominante; o ciclo anual das cargas de treino é organizado na forma de pequenas ondas uma vez que o treinamento não deve ser projetado para determinar uma transferência a longo prazo dos efeitos da carga (SILVA, 1995).

Com relação à proposta deste modelo em que as cargas de natureza específica assumem um caráter predominante ao longo da temporada, é considerado por TSCHIENE (1985) um progresso na teoria do treinamento desportivo. Da mesma forma, SILVA (1995) acredita que a proposta de Vorobjev se constitui no primeiro modelo a, efetivamente, estabelecer um certo afastamento dos esquemas da periodização clássica de Matvéiev.

Fonte


O que é treinamento pendular?



Esta sistemática para estruturação do processo de treino foi proposta por Arosjev na década de 1970 (SILVA, 1995) e se constitui numa tentativa de aperfeiçoamento do sistema proposto por Matvéiev, pois se orienta pelos princípios da teoria do referido autor. De acordo com TSCHIENE (1985), pode-se concluir que a estrutura pendular de Arosjev representa apenas uma reforma da periodização do treino de Matvéiev, já que a tradicional subdivisão em períodos não é desconsiderada. O treinamento pendular tem como proposta básica a obtenção de vários momentos da forma, a fim de atender às necessidades do calendário de competição, e fundamenta-se na alternância sistemática entre cargas específicas e gerais. De uma maneira geral, as cargas gerais decrescem ao longo do período até praticamente desaparecerem por ocasião das competições mais importantes, ao passo que as cargas de natureza específica crescem a cada ciclo de treino (SILVA, 1995). Essa alternância na natureza das cargas em um mesmo ciclo de treino é responsável pela formação do chamado pêndulo (SILVA, 1998).

Quanto menores são os pêndulos durante o processo de treinamento, maiores serão as condições de competir eficazmente, todavia se os pêndulos são maiores, maior será a possibilidade de sustentar a forma desportiva por um tempo maior por parte do atleta (FORTEZA DE LA ROSA, 2001).

Sinteticamente, nessa forma de organizar o treinamento desportivo fica evidente que se mantém a importância das cargas gerais de treinamento e que existe a relativa separação igual, mas em menor escala, do que na periodização do treinamento de Matvéiev é a preparação geral e a específica (FORTEZA DE LA ROSA, 2001).

segunda-feira, 12 de março de 2012


Aquecimento melhora o rendimento do treino



Você já sabe que fazer exercício físico é primordial para o aumento da qualidade de vida. Segundo pesquisa recente realizada pela Universidade de Essex, no Reino Unido, bastam apenas cinco minutos de caminhada ao ar livre para melhorar o humor e a autoestima.

E não é só isso: os benefícios passam por melhora da função cardiorrespiratória e prevenção de doenças como obesidade, diabetes e câncer. Porém, antes de você começar a mexer o esqueleto, saiba que nosso corpo precisa ser preparado para a prática do exercício.

"Independentemente da idade e do sexo, a realização de exercícios preparatórios antes das atividades físicas é fundamental para qualquer um", explica o fisiologista da Unifesp Raul Santo de Oliveira. Os aquecimentos e alongamentos têm essa característica e acabam por aumentar o desempenho da pessoa quando feitos da maneira correta.  


pessoas aquecendo na esteira - Foto Getty Images

Duas formas de aquecimento

Aquecimento geral: corrida, caminhada, trote leve, movimento de braços e pernas, ou seja, qualquer exercício mais leve que garante a movimentação do corpo.

Aquecimento específico: vai depender da modalidade esportiva que a pessoa vai praticar. Por exemplo, se você vai correr em uma maratona, o aquecimento precisa priorizar as pernas e o movimento de quadril. 

Antes do exercício

Esses exercícios preparatórios são os importantes para a comunicação do sistema muscular com o sistema nervoso e, por isso, o rendimento fisiológico da pessoa melhora muito. Mas, para alcançar a melhora, a sequência aquecimento-alongamento precisa ser feita por no mínimo 15 minutos antes a prática esportiva.

Depois do exercício

É importante também que após o exercício, o alongamento seja feito para restabelecer gradativamente o repouso do corpo. "O ideal é que o alongamento seja feito de forma bastante branda e com calma, pois, assim como o aquecimento ajuda na aceleração dos sistema circulatório e respiratório, a desaceleração gradual é necessária para que o corpo não interrompa a atividade de forma abrupta", recomenda o médico Raul Santo.

Aquecimento e alongamento

O aquecimento é o primeiro passo de preparação para se exercitar, depois é feito o alongamento. "O aquecimento eleva a temperatura corporal e aumenta a frequência cardíaca. Com isso, mais sangue é bombeado, levando nutrientes e oxigênio para os músculos. Além disso, é durante o aquecimento que ocorre um aumento da frequência respiratória, importante para o bom rendimento", explica o especialista Raul Santo.

Uma vez que a temperatura do corpo está elevada e os músculos estão irrigados, é hora de começar o alongamento. "Esticar a musculatura faz com que o corpo esteja preparado para os movimentos e, por isso, o risco de lesões são diminuídos e as dores pós-exercício ficam amenizadas", diz o fisiologista. 

Variações

O alongamento também vai variar de acordo com o esporte, mas quando falamos de esticar os músculos é importante que as principais cadeias musculares sejam alongadas. "Todo alongamento deve começar a ser feito da cabeça para os pés ou dos pés para a cabeça, para que o indivíduo não se esqueça de nenhuma parte do corpo", ensina o fisiologista. 

Dias quentes e frios

A intensidade do movimento preparatório vai variar de acordo com as condições climáticas, com a idade e a frequência de atividade física de cada um.

"Em dias mais quentes, o corpo se aquece mais rapidamente, por isso, a prioridade vai para os exercícios de alongamento. Já quando a temperatura está baixa, a tendência é prolongá-los para manter o corpo aquecido." De baixa intensidade ou não, o importante é não deixar de lado essa etapa importante da atividade física.

"O preparo do corpo garante que os músculos trabalhem nas condições ideais e, assim, as reações fisiológicas funcionam de forma positiva, garantindo o aumento do rendimento físico", completa o especialista da Unifesp. 

por Andressa Basilio

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